óleo de coco

Óleo de coco: o que você realmente deve saber sobre ele

O óleo de coco é um alimento natural extraído da polpa do coco, rico em antioxidantes e ácidos graxos. Saiba mais sobre este poderoso alimento.

 

Na última semana, o óleo de coco ganhou destaque na grande mídia. Isto devido a uma reportagem intitulada “Febre do momento, óleo de coco não traz benefícios e ainda pode fazer mal”, do jornal Folha de São Paulo. Esta reportagem, mostrou o conteúdo da última nota oficial da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) sobre o óleo de coco. Segundo eles “…não há qualquer evidência nem mecanismo fisiológico de que o óleo de coco leve à perda de peso”, e mais: “… o uso do óleo de coco pode ser deletério para os pacientes devido à sua elevada concentração de ácidos graxos saturados”.

Será mesmo verdade que um alimento natural e rico em antioxidantes pode fazer mal para a sua saúde?

O óleo de coco virgem difere de todos os outros óleos vegetais pela composição das gorduras (ácidos graxos) que estão presentes. Óleos como o de soja, milho ou de canola, são ricos em ácidos graxos insaturados e de cadeia longa. Ao contrário destes óleos, o óleo de coco é rico em ácidos graxos insaturados e de cadeia curta, chamados de triglicerídeos de cadeia média (MCT).

Vamos entender as consequências destas diferenças para sua saúde.

O triglicerídeo de cadeia média do óleo de coco é o nutriente responsável pela maioria de seus benefícios. O principal MCT do óleo de coco é o ácido láurico, uma substância presente no leite materno e que é responsável por fortalecer o sistema imunológico do bebê. Este ácido tem mostrado importante atividade antimicrobiana e anti-inflamatório, o que explicaria a sua concentração do leite materno.

Além disso, os MCTs percorrem caminhos diferentes dos outros ácidos graxos em nosso corpo. A digestão de maior parte das gorduras ingeridas depende, dentre outras substâncias, de ácidos biliares, exceto o MC: ele consegue ser digerido por um processo mais simples. Isto o torna um alimento de rápida absorção, que pode fornecer energia imediata para nosso corpo.

Outro ponto de suma importância é o destino do MCT em nosso corpo. O único destino possível para este tipo de ácido graxo em nosso corpo é ser queimado para produção de energia, diferentes dos outros tipos de gordura que podem ser armazenados como reserva. Resumindo, grande parte da gordura do óleo de coco não pode ser armazenada como gorduras em nosso corpo, ao contrário dos outros tipos de óleos.

Verdade ou mentira?

Durante muito tempo se acreditou que os ácidos graxos saturados, o inverso dos insaturados, eram os responsáveis por doenças cardiovasculares. Entretanto, hoje em dia sabe-se que isto não é verdade. Em 2015 a Academy of Nutrition and Dietetics, maior e mais importante associação de profissionais de alimentação e nutrição dos Estados Unidos, afirmou que o consumo de gordura saturada não está relacionado ao maior número de doenças cardiovasculares e que os carboidratos em excesso é que podem ser culpados por isto.

Outro fato interessante é que quando aquecemos uma gordura insaturada ela se tornará saturada. Além disso, ela vai formar compostos tóxicos ao nosso organismo. Quando aquecemos uma gordura saturada ela não se modificará pois já é uma gordura saturada. Como tal, não produz nenhum composto tóxico a nossa saúde.

A introdução do óleo de coco numa alimentação visando a perda de gordura é uma estratégia muito válida pela presença de MCT em sua composição. A ingestão de MCT pode aumentar o gasto calórico basal. Com isto, faz a pessoa gastar mais calorias para suas atividades.
Além disto, pode servir como fonte de energia para exercícios físicos quando em restrição de carboidratos como por exemplo, na dieta cetogenica. Um dos alimentos mais utilizados por praticantes de dietas low carb e cetogênica é o óleo de coco, novamente pelo MCT. Ele é uma fonte rápida de energia e não pode ser estocada como gordura. O MCT gera mais corpos cetônicos do que qualquer outra gordura, otimizando a cetose.

Infelizmente o posicionamento das entidades citadas no início do texto, revela que os interesses econômicos atuais, atropelam o interesse pela saúde da população.

A nota publicada estimula o uso de óleos vegetais em detrimento do óleo de coco. A maioria dos óleos vegetais são produzidos a partir de sementes transgênicas, modificadas em laboratório. Além disso, são extraídos a temperaturas altíssimas, pela dificuldade de se extrair óleo de sementes como soja, milho ou colza (de onde vem o óleo de canola), passando ainda pelo processo de refinamento. A maioria dos óleos vegetais como os citados acima, possui alta concentração de ômega-6. Quando consumido em excesso aumenta a inflamação geral do corpo.

Será que existe a mesma dificuldade de se extrair o óleo de azeitonas, que origina o azeite de oliva? Ou da polpa do coco, que origina o óleo de coco? São alimentos gordurosos por natureza. Portanto, a extração é realizada a frio. Isto preserva as propriedades das gorduras boas (lembra o que eu falei quando aquecemos uma gordura?).

O óleo de coco é um alimento repleto de propriedades funcionais e que tem lugar garantido em uma alimentação saudável.
A utilização do óleo de coco para emagrecimento vai depender da sua correta utilização numa dieta, que deve ser orientada por um nutricionista atualizado.

Leonardo Pinheiro
leonardovpinheiro@gmail.com

Leonardo Pinheiro, graduando em Nutrição, no momento estagiando na área hospitalar. Apaixonado pela boa nutrição uma vez que acredita que através dela podemos afastar e prevenir qualquer problema de saúde, além de conquistar uma vida plena com bem-estar. Praticante de esportes desde pequeno, iniciando no futsal e passando por handebol e futebol de areia, foi na musculação que se fascinou por enxergar a necessidade de uma boa alimentação para alcançar seus objetivos na academia, assim como qualquer outro esporte. Esse fascínio alimenta uma vontade incansável de adquirir mais conhecimento para ajudar todos aqueles que desejam realmente, viver!

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